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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A SERPENTE QUE QUERIA SER DIFERENTE


Na Serra da Boa Viagem vivia a mais inconformada das serpentes que já pode existir no lugar. Todos os animais dali comentavam que Filó era a criaturinha mais insatisfeita do planeta. Nada estava bom para ela, vivia sempre reclamando: - Oh! Vida!Hoje não estou satisfeita, vivo sempre a me arrastar... Ninguém fale comigo! Eu não quero conversar! Logo quando o sol chegou iluminando as folhas, cheias de gotas de orvalho, Filó resmungou: - Este sol está quente demais!

- Por que está tão insatisfeita Filó? Perguntou o mosquito Manuelino.

- Eu queria voar como um mosquito. O Senhor acha isso esquisito?

- Não! Não! Mas temos a nossa contribuição na natureza, todos os animais aqui nesta linda Serra precisam uns dos outros! Manuelino partiu voando até desaparecer dos olhos atentos de Filó. Ao voltar para sua casa à noite, encontrou uma velha amiga.

- Boa noite Filó!

- Boa noite! Respondeu Filó muito impaciente

- Por que tanta tristeza e raiva Filó? Perguntou a pequena serpente de corpinho colorido.

- Eu queria ser colorida! Isso é pedir muito na vida?

- Cada ser nasce do seu jeito Filó, tem cores e formas diferentes! Assim cada um de nós tem participação para a harmonia da natureza! Você é tão bonita!

- Bonita que nada! Eu queria ser diferente! Resmunga Filó a caminho de casa.

No dia seguinte, Filó estava entre as folhas, quando avistou a raposa Sinhá desesperada, pois seu filhote estava no alto da árvore e não conseguia voltar. Ele havia caído dentro do tronco oco da árvore. Os pássaros já haviam tentado socorrer o filhote, mas mesmo sabendo voar, não conseguiam entrar no orifício do tronco. O mosquito Manuelino também tentou, mas seu corpinho fino e pequeno, não poderia puxa-lo de lá. A sua melhor amiga, toda colorida, se esforçou, mas seu corpo não era tão robusto e forte para salvar o filhote. Filó deslizou lentamente até o galho mais alto, entrou no tronco da árvore e enrolou-se no filhote arrastando-o de volta até o chão.

- Obrigada Filó! Agradecia feliz dona Sinhá.

- Conte sempre comigo! Filó respondeu orgulhosa.

- Ainda quer ser diferente Filó? Pergunta o mosquito Manuelito, voando de lá para cá.

- Eu não quero não! Pude salvar uma vida! Agora aprendi a lição! Responde Filó, com os olhinhos cheios de satisfação.


Tereza Amaral

terça-feira, 7 de abril de 2009

Escrevi o Primeiro Vôo de Tito para crianças portuguesas de Figueira da Foz, uma fábula que nos mostra o poder da força de vontade. Espero que Maria Eduarda goste.

O PRIMEIRO VÔO DE TITO


Entre as folhas de uma árvore secular na Serra da Boa Viagem, nascia o filhote de Codita e Pepito, o casal de pássaros mais belos da Serra. Todos os dias, Codita voava em busca de alimento para o filhote, trazia na ponta do bico, chegando sempre com a refeição junto com os primeiros raios de sol da manhã. - Mamãe, quando vou poder voar? - Em breve meu bebê... - Mas acho que não vou conseguir... - Todos conseguem meu bem! Fique tranqüilo. Por muitos dias durante manhãs inteiras Codita ensinava seu filhote a voar, se exibia batendo as asas em diferentes ritmos, mas ele estava sempre triste, não acreditava que pudesse voar tão alto quanto seus pais. - Eu tento, tento e não consigo! - Vai conseguir! Precisa confiar! Diz Codita já com o olhar preocupado. Não havia nada diferente no filhote, tudo estava bem. Por que então ele não conseguia voar? As asas estavam inteiras, não havia nada de errado com ele. Todos os filhotes que nasceram nas árvores vizinhas já tinham feito o seu primeiro vôo. O filhote de Codita não. Os pássaros na floresta ficaram preocupados, mas Codita não desistiu do seu filhote em nenhum momento. O pai inconformado chamou-o para conversar: - Preste atenção! Terá que voar! - Mas eu tenho medo! Chorava Tito . - Medo? Com medo ou não terá que fazer o seu primeiro vôo! Os dias se passavam e os outros filhotes já voavam livremente. Tito permanecia no ninho. - Meu filho, como pode ver todas as belezas desta Serra se tens medo de voar? - Eu sei mamãe, mas tenho medo... - Somente praticando poderá voar meu filho! Entende? Se ficar aqui no ninho, nada vai aprender do mundo. Todos estavam atentos. O que poderia ser feito para que Tito voasse? Codita levou seu filhote para o galho mais alto, olhou nos olhos dele e disse: - Se deixar o medo lhe dominar, não vai comer, não vai voar, não vai viver! - Então o que devo fazer mamãe? - Está vendo aquela nuvem lá ao longe? - Sim vejo! - Se desejar toca-la com todo o seu coração, vai aprender a voar! Olhe para a nuvem! Bata suas asas até tocá-la! Codita empurra o filhote do alto do galho. Tito batia suas pequenas asas desesperado, caindo cada vez mais! Os animais observavam apavorados. Quando Tito já estava próximo ao chão, Codita gritou: - Olhe para a nuvem Tito! Toque na nuvem! Ela é o seu desejo! Tito levantou a cabeça, respirou fundo batendo suas asas com mais força. Parecia um milagre! Finalmente ele estava voando! Todos gritavam, cantavam, festejando o mais bonito vôo da Serra! Ao pousar próximo a sua mãe, Tito ainda ofegante, pergunta: - O que me fez voar mamãe? - Algo muito poderoso que existe em todos nós, uma enorme força! A força de vontade! Sussurra. Acariciando o filhote.

Tereza Amaral